INTRODUÇÃO
Uma das atividades que mais consomem tempo na Fotogrametria é a obtenção de Modelos
Digitais de Superfície ou do Terreno (MDS ou MDT). Este sub-produto
cartográfico normalmente é utilizado para a retificação diferencial de ortofotos
ou para obtenção automática de curvas de nível.
Podemos obter um MDS por captação fotogramétrica, ou seja, restituindo curvas
de nível; executando um perfilamento por método fotogramétrico; ou por meio de levantamento
GPS em campo. Todos são métodos válidos, porém mais trabalhosos, pois envolvem
equipes de campo ou fotogrametristas especializados.
O PERFILAMENTO A LASER é uma tecnologia que está revolucionando esta metodologia,
permitindo a obtenção do MDS de maneira mais direta, evitando processos fotogramétricos
ou levantamentos com outras técnicas como GPS.
A sua aplicação inicialmente prevista para MDS, hoje está bem diversificada
uma vez que novos usos dos resultados do PERFILAMENTO A LASER foram encontrados
para as áreas de telecomunicações, engenharia florestal e outros.
RESULTADOS
Os Sistemas de Perfilagem a LASER estão sendo continuamente estudados por sub-comitês
da ASPRS (American Society of Photogrammetry & Remote Sensing) para definição de
normas específicas para calibração e tolerâncias de resultados encontrados por estes
sistemas, visando contribuir para findar as diferentes interpretações existentes
em termos de padrões para sistemas LIDAR (Light Detecting & Ranging).
Como em outras metodologias, os erros encontrados em um sistema de Perfilagem a
LASER são derivados dos erros de seus componentes como o próprio emissor do feixe
de LASER, a solução GPS e a orientação do IMU (Inertial Measurement Unit).
No caso do GPS, um equipamento bem instalado na aeronave e uma estação no
solo podem proporcionar uma qualidade decimétrica ao resultado. As diferenças resultantes
das IMUs dependem do fabricante, mas geralmente se encontram na ordem de 1/100º
que a 1.000m de altura correspondem a uma qualidade decimétrica semelhante ao GPS.
Os resultados obtidos pelos Sistemas de PERFILAMENTO A LASER são avaliados
desde os primeiros testes de operação. A metodologia de avaliação consiste na comparação
do modelo de superfície derivado dos pontos medidos pelo sistema com um modelo de
superfície obtido por outros métodos tais como GPS, fotogrametria ou outros
pontos de controle. As diferenças encontradas em um processo comparativo com origens
sujeitas a erros deve ser interpretada de maneira especial.
Em resumo, os resultados encontrados até o momento levam a uma precisão horizontal
de 0,5 a 1 m e uma precisão vertical menor que 0,15 m para cerca de 70% dos pontos
testados. Para 90% dos pontos testados, a precisão vertical é menor que 30 cm. estes
valores são obtidos para uma altura de vôo de 1.000 m. Uma das maiores usuárias
de Sistemas de PERFILAMENTO A LASER nos estados unidos, a empresa AIRBORNE
1 (Los Angeles, CA) vem obtendo em serviços realizados, a precisão vertical
em torno de 10 cm para 70% dos pontos testados.
PRESENTE E FUTURO
Os Sistemas de PERFILAMENTO A LASER tem um alto potencial a ser explorado.
É uma nova tecnologia com uma grande margem para futuros desenvolvimentos especialmente
nos algoritmos de geração dos modelos digitais e nos componentes do sistema com
maior capacidade de varredura permitindo avanços na capacidade de identificação
e classificação de objetos.
No campo da utilização, muitos estudiosos estão desenvolvendo pesquisas de extração
automática de feições usando as características bem marcantes que o PERFILAMENTO
A LASER proporciona nos modelos de superfície.
O PERFILAMENTO A LASER realmente agrega grande valor aos processos fotogramétricos
no instante que permite que tarefas mais onerosas e mais demoradas como a modelagem
do terreno sejam realizadas com mais eficiência e rapidez. Contudo, o PERFILAMENTO
A LASER não é um substituto da fotogrametria uma vez que somente resolve
parte do problema do mapeamento. A fotografia aérea ainda é um elemento de substancial
importância (senão essencial) para o produto fotogramétrico seja na identificação
ou na visualização de elementos e isto, o PERFILAMENTO A LASER ainda não
substitui.
Esta dependência que os Sistemas de PERFILAMENTO A LASER tem da fotogrametria
é tão marcante que dos cerca de 40 provedores da tecnologia no ano de 2000, apenas
um deles não tinha envolvimento nas áreas de fotogrametria, levantamentos ou mapeamento.
Por isso, espera-se que as maiores contribuições para o desenvolvimento e aprimoramento
desta tecnologia partam sempre dos fotogrametristas.
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